(...)Ah, o ponto G, esse paraíso
secreto que leva os homens a explorações minuciosas. Tanto trabalho
por nada. Não temos um ponto G, mas dois, um em cada lateral da
cabeça, e não é preciso tirar nossa roupa para nos deixar em
êxtase. Falem, rapazes. Digam tudo o que sentem por nós,
assim,assim...assim.
Concordo com a autora de A casa dos espíritos: o melhor afrodisíaco
é a declaração de amor. Não aquelas mecânicas, faladas no piloto
automático, mas as verdadeiras, sentidas, aquelas que os homens
imaginam que basta serem ditas com o olhar e com as mãos, mas que
fazemos questão de escutar, também com a voz. “Como eu gosto
de estar com você, como você é linda, esqueço do tempo ao seu lado,
que horas são? Já? Que me esperem, não consigo desgrudar de você,
amor.” Caetano Veloso vendeu um milhão de cópias do seu
último disco e tenho certeza que não foi por causa de “vou me
embora, vou me embora, prenda minha...” e sim “ por que
você me deixa tão solto, por que você não cola em mim?”
As feministas mais ortodoxas deve estar bufando. Tanta coisa pra se
exigir de um homem: mais espaço na política, mais ajuda em casa,
salários iguais e nada de gracinhas no escritório, e vem essa daí
clamar palavras! Pois essa daqui acha tão interessante a idéia de
igualdade entre os sexos que adoraria vê-los soltar o verbo como
nós fazemos, expressar os sentimentos sem medo de ser piegas,
afirmar e reafirmar diariamente como a gente é importante para eles
e que saudades estavam do perfume do nosso cabelo. Clichês em
último grau, reconheço, mas quem quer ser moderna nessa hora? Tudo
o que se reivindica é o desbloqueio emocional masculino. Nossos
hormônios saberão como agradecer.
linda musica escrito em quarta 10 março 2010 17:30
O ponto G escrito em domingo 07 março 2010 10:58
O que quer uma mulher escrito em domingo 07 março 2010 10:48
Um bebê nasce. O médico anuncia: é
uma menina! A mãe da criança,
então, se põe a sonhar com o dia em que a sua princesinha terá
um
namorado de olhos verdes e casará com ele, vivendo feliz para
sempre.
A garotinha ainda nem mamou e já está condenada a dilacerar
corações.
Laçarotes, babados, contos de fadas: toda mulher carrega a síndrome
de
Walt Disney.
Até as mais modernas e cosmopolitas têm o sonho secreto de
encontrar
um príncipe encantado. Como não existe um Antonio Banderas para
todas,
nos conformamos com analistas de sistemas, gerentes de
marketing,
engenheiros mecânicos. Ou mecânicos de oficina mesmo, a situação
não
anda fácil. Serão eles desprezíveis? Que nada. São gentis, nos
ajudam
com as crianças, dão um duro danado no trabalho e têm o maior
prazer
em nos levar para jantar. São príncipes à sua maneira, e nós,
cinderelas improvisadas, dizemos sim! sim! sim! diante do altar;
mas,
lá no fundo, a carência existencial herdada no berço jamais
será
preenchida.
Queremos ser resgatadas da torre do castelo. Queremos que o
nosso
pretendente enfrente dragões, bruxas, lobos selvagens. Queremos
que
ele sofra, que vare a noite atrás de nós, que faça tudo o que o
José
Mayer, o Marcelo Novaes e o Rodrigo Santoro fazem nas
novelas.
Queremos ouvir "eu te amo" só no último capítulo, de preferência
num
saguão de aeroporto, quando ele chegará a tempo de nos impedir
de
embarcar.
O amor na vida real, no entanto, é bem menos arrebatador. "Eu te
amo"
virou uma frase tão romântica quanto "me passa o açúcar".
Entre
casais, é mais fácil ouvir eu "te amo" ao encerrar uma
ligação
telefônica do que ao vivo e a cores. E fazem isso depois de terem
se
xingado por meia-hora. "Você vai chegar tarde de novo? Tenha a
santa
paciência, o que é que você tanto faz nesse escritório? Ontem foi
a
mesma coisa, que inferno! Eu é que não vou prepar o jantar para
você
às dez da noite, te vira. Tchau, também te amo." E batem o
telefone
possessos.
Sim, sabemos que a vida real não combina com cenas
hollywoodianas.
Sabemos que há apenas meia dúzia de castelos no mundo, quase
todos
abertos à visitação de turistas. Sabemos que os príncipes, hoje,
andam
meio carecas, usam óculos e cultivam uma barriguinha de chope. Não
são
heróicos nem usam capa e espada, mas ao menos são de carne e osso,
e a
maioria tentaria nos resgatar de um prédio em chamas, caso a
escada
magirus alcançasse o nosso andar. Não é nada, não é nada, mas já
é
alguma coisa.
Dificilmente um homem consegue corresponder à expectativa de
uma
mulher, mas vê-los tentar é comovente. Alguns mandam flores,
reservam
quarto em hotéizinhos secretos, surpreendem com presentes,
passagens
aéreas, convites inusitados. São inteligentes, charmosos,
ousados,
corajosos, batalhadores.
Disputam nosso amor como se estivessem numa guerra, e pra quê? Tudo
o
que recebem em troca é uma mulher que não pára de olhar pela
janela,
suspirando por algo que nem ela sabe direito o que é.
.........
Perdoem esse nosso desvio cultural, rapazes. Nenhuma mulher se
sente
amada o suficiente.
As fotos é que pagam o pato escrito em domingo 07 março 2010 10:32
Depois de uma briga histórica,
daquelas de não deixar coisa nenhuma em pé, você se vê
completamente sozinha, o romance acabou. Ele não era nada daquilo
que você pensava, é um cafajeste, um galinha, um insensível. Você
corre até a cozinha, pega uma tesoura afiada, voa para seu quarto
e, bufando de ódio, tira do armário a caixa com todas as fotos que
vocês tiraram durante o namoro e começa a (não faça isso, garota,
você vai se arrepender, o cara fez parte da sua história, um dia
esta raiva vai passar e você nem lembrará do rosto dele, vai querer
recordá-lo, larga esta tesoura, não faz bobagem, me escu...) picar
bem picadinho todas as fotos em que aparecem juntos, menos aquela
em que você está uma deusa - esta você vai cortar pela metade, e a
parte em que ele aparece vai para o lixo, naturalmente.
Serviço feito. Nem mesmo um expert em quebra-cabeças de 20.000
peças conseguiria juntar o olho direito com o olho esquerdo daquele
infeliz, as fotos viraram farinha. E agora? Está se sentindo
melhor?
Você está se sentindo um trapo. A dor da perda não se aplaca com um
gesto extremado, e se o propósito era vingança, grande porcaria: o
modelo fotográfico que foi esquartejado segue inteirinho da silva
tocando a vida dele, não sentiu nem um arrepio quando você
praticamente moeu seu sorriso lindo. Ele tinha um sorriso lindo,
não tinha?
Você vai lembrar do sorriso, dos olhos, da boca ainda por muito
tempo. Picotar fotos é só a materialização de um desejo:
gostaríamos que certas pessoas saíssem da nossa vida
instantaneamente, bastando pra isso uma tesourada. Mas o processo
de despedida é bem mais lento e mais difícil. É preciso deixar o
tempo agir. E o tempo age com mais parcimônia.
Mas quem quer saber de parcimônia? Mulheres com o orgulho ferido
seguirão mutilando seus álbuns de fotografia, arrancando cabeças,
amputando casais que pareciam colados com superbonder. Uma pena
aleijar assim o passado, mas, por outro lado, talvez seja
conveniente deixar bem livre este ímpeto destrutivo e o pouco apego
às lembranças. Nenhum problema em descarregar nosso ódio num pedaço
de papel. Sabe-se lá o que aconteceria se o engraçadinho aparecesse
na nossa frente e nos encontrasse com uma tesoura na
mão.
Saudades escrito em terça 02 março 2010 16:40
Sinto saudades de tudo que marcou a
minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi
direito!
Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!
Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!
Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.
Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de
fazer!
Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!
Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde
perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo
saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...







